Dizeres

Pessoas adoram ditados. Eu odeio pessoas que adoram ditados. Ditados, ou ditos populares, nada mais são do que uma forma de se conformar diante de uma merda, de acreditar que depois da merda a coisa vai melhorar pura e simplesmente porque todo mundo falou uma besteira e por isso DEVE fazer algum sentido.

Ditados são quase como uma superstição. Vou dar um exemplo, ninguém sabe se o dia vai ser melhor ao fazer o sinal da cruz quando se passa por uma igreja (já vi nas versões 1, 2 e 3 sinais da cruz), mas mesmo assim o sujeito faz e espera (independente da conduta pessoal dele) que a salvação esteja momentaneamente garantida pelo ato. Uma mania boba, uma espécie de supertição. Não se sabe por que, onde, ou quem inventou a “obrigatoriedade” desse gesto, mas o camarada faz porque lhe ensinaram que isso pode tornar o dia menos miserável então porque não? No final das contas a parada vira cíclica e o povo faz, “um pouco” pelo mecanismo da coisa, e, “um muito” porque começa realmente a acreditar na salvação do dia a dia graças ao ato. (complicado? Lê de novo que você entende).

Com um ditado é mais ou menos a mesma bobagem, todo mundo fala tanto que começa a acreditar que é mesmo verdade.

Pensa só, o sujeito acaba de perder o emprego, aí quase que como um mantra alguém solta um “Quando uma porta se fecha, sempre tem outra para se abrir”. Qual é o embasamento cientifico que um filho de uma puta tem pra garantir que realmente a coisa vai mudar pra melhor depois? O fato é que naturalmente estando desempregado o sujeito vai buscar um novo emprego e ao encontrar, aquele mesmo grandessíssimo filho da puta vai virar e dizer, “viu, abriu-se uma nova porta”. Bem… Vamos colocar um outro ponto de vista também bem plausível nessa história (e um pouquinho apimentado). O cara perdeu o emprego, ta atolado de dívida, tem que pagar a escola dos 3 filhos, o escolar, o aluguel da casa, o cabeleireiro da mulher, a ração do cachorro, a depilação a laser do buço da sogra que mora com ele, e agora que ele não tem emprego ele se desespera. F U D E U. Ele, depois de tomar uma garrafa de pinga com o dinheirão do acerto, chega em casa, abre a janela do apartamento que fica em um prédio dentro de um condomínio com uns 23 blocos onde ele mora “confortavelmente” no 6º (provavelmente sem elevador), corta a tela de segurança e pula. De cabeça. Vira paçoca la em baixo. Bem, talvez o filho da puta que gosta de ditados possa até ver uma ironia nessa situação, ele falou que uma porta se abriria, mas no caso de uma janela a diferença foi pouca né?

A estórinha acima foi muito bonita, mas, pra não parecer que eu sou um reclamão e estou pegando no pé dos pobres ditos populares atoa, vamos ilustrar, com outro ditado, uma situação BEM mais real.

Vou com um que adoram por aí, esse é clássico (talvez o mais non sense de todos), o seu grande amigo para as horas ruins. É o digníssimo:

“Depois da tempestade vem a bonança”… bem… Sejamos sinceros, eu duvido que se alguém soltar um desses infames lá em Niterói pelos dias de hoje, ele vá ser bem recebido. A tempestade veio, passou e o que ficou? Eu digo. Ficou muita gente morta, muita destruição, muito prejuízo, uma desgraça total… Pois é. A bonança passou longe. Então mais apropriado seria “depois da tempestade, FUDEU”.

Então aceitemos os fatos, ditado é conversa pra bobo aceitar problema. Eles só facilitam o comodismo geral. Alguma coisa deu errado? Meu amigo, aceita, porque a vida pode dar errada sim sem “mas” e “porem”. Somos frutos do acaso e a mercê da própria sorte. Então me façam um favor, na próxima vez que você enfiar o pé na jaca e um sacana tentar te animar com frase pronta de efeito sem base nenhuma, dê um soco nele por mim, eu vou ficar muito mais feliz e afinaltodos precisamos de bons fluídos” (nem que sejam sexuais).

P.S.1:E se você acha que tudo isso é uma bobagem e acredita sim que “nada acontece por acaso” e que tudo que passamos é para servir de aprendizado” diga isso para os haitianos, eles sem dúvida estão “sedentos” pela sua sabedoria inútil.


P.S.2
(não é Playstation 2): Desafio qualquer um a me arrumar um ditado que exista para a hora da morte… Para o morto.

Sigam aí com a música de Johnny Nash, com a versão que fez muito sucesso na voz de Jimmy Cliff. I can see clearly now.

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